Amigos do coração e cardiopatas

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segunda-feira, 25 de julho de 2011

Obrigado a vida


Obrigado à vida que me tem dado tanto

deu-me dois olhos que, quando os abro

perfeitamente distingo o preto do branco

e no alto céu, o seu fundo estrelado

e nas multidões, o homem que eu amo.



Obrigado à vida que me tem dado tanto

deu-me o ouvido que, em toda a amplitude,

grava, noite e dia, grilos e canários

martelos, turbinas, latidos, chuviscos

e a voz tão terna do meu bem amado.



Obrigado à vida que me tem dado tanto

deu-me o som e o abecedário

e, com ele, as palavras com que penso e falo

mãe, amigo, irmão e luz iluminando

a rota da alma de quem estou amando.



Obrigado à vida que me tem dado tanto

deu-me a marcha dos meus pés cansados

com eles andei por cidades e charcos,

praias e desertos, montanhas e planícies

pela tua casa, tua rua e teu pátio.



Obrigado à vida que me tem dado tanto

deu-me o coração que todo se agita

quando vejo o fruto do cérebro humano,

quando vejo o bem tão longe do mal,

quando vejo no fundo do teus olhos claros.



Obrigado à vida que me tem dado tanto

deu-me o riso e deu-me o pranto

assim eu distingo a felicidade da tristeza,

os dois materiais de que é feito o meu canto

e o canto de todos, que é o meu próprio canto



Obrigado à Vida

Obrigado à Vida

Obrigado à Vida

Obrigado à Vida

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