Amigos do coração e cardiopatas
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Cirurgia ,continuação
As cirurgias cardíacas podem ser corretoras, reconstrutoras ou substitutivas. As
corretoras, que podem levar à cura ou melhora excelente e prolongada, incluem a
correção de defeitos congênitos, como fechamento do canal arterial, do defeito do
septo ventricular ou do septo atrial, correção de estenose mitral ou da tetralogia de
Fallot. As cirurgias reconstrutoras incluem a revascularização coronária e a
reconstrução das válvulas. As consideradas substitutivas nem sempre são curativas,
devido às condições pré-operatórias do cliente, e nelas incluem-se as substituições
valvulares ou do coração (BLACK e MATASSARIN-JACOBS, 1996).
A cirurgia de revascularização do miocárdio é uma das opções no tratamento
dos pacientes com doença isquêmica cardíaca e tem como objetivos prolongar a vida,
promover o alívio da dor da angina e melhorar a qualidade de vida (DANTAS e
AGUILAR, 2001).
A correção ou substituição das válvulas cardíacas é uma manobra cirúrgica
paliativa, devido às condições pré-operatórias do coração. As válvulas cardíacas
podem ser substituídas por válvulas protéticas mecânicas ou tissulares. No caso de
substituição por válvula mecânica, será necessário que o corpo enfermo utilize
anticoagulante durante toda sua vida. Quando a opção for pela válvula tissular, ele
provavelmente precisará de nova troca em torno de dez anos, uma vez que essas
válvulas apresentam menor durabilidade (BLACK e MATASSARIM-JACOBS,
1996). Portanto, os corpos que se submetem à troca de válvula cardíaca precisam se
comprometer com o tratamento no pós-operatório e experimentam um sentimento de
medo e incerteza em relação à necessidade de uma nova cirurgia.
O transplante cardíaco é outra intervenção cirúrgica, considerada como único
recurso para alguns cardiopatas em estágio avançado ou terminal de sua doença, sendo
motivo de esperança de sobrevivência ou melhora da qualidade de vida,
principalmente para aqueles que aguardam pelo órgão um longo período. De acordo
com Lemos e Cantinelli (2001), antes do transplante, eles apresentam limitações
significativas, que produzem desconforto na realização de suas atividades rotineiras,
como alimentação, lazer, trabalho, higiene pessoal, prática sexual e sono, sendo o
tratamento clínico pouco efetivo. Sendo assim, o ser humano que aguarda em fila de
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espera por um transplante cardíaco vive em constante estresse emocional, diante da
possibilidade de morte antes do procedimento cirúrgico, esperando com ansiedade a
chegada do órgão que pode restituir-lhe a saúde (HOJAIJ e ROMANO, 1995).
Neste estudo, o corpo enfermo é o adulto portador de doença cardiovascular que
necessita da cirurgia cardíaca como tratamento. Ele pode apresentar períodos de
descompensação cardíaca, em que necessita de internação hospitalar, repouso, dieta
especial e suspensão das atividades rotineiras. Para submeter-se a intervenção
cirúrgica cardíaca, ele precisa fazer uma avaliação clínica completa, com exames
invasivos e não-invasivos, como: eletrocardiograma, ecocardiografia, teste
ergométrico, exames eletrofisiológicos, radiografias, angiografia, cintilografia,
tomografia axial computadorizada, ressonância magnética, cateterismo, aortografia e
exames laboratoriais hematológicos, dentre outros.
Essa penosa caminhada pelos centros diagnósticos no período pré-operatório
contribui para o aparecimento de fantasias e aumento da expectativa em relação ao
procedimento cirúrgico propriamente dito. Além disso, Mello Filho (1992) refere que
o fato de a cirurgia ser cardíaca causa mais ansiedade do que se fosse em outro órgão,
devido à simbologia do coração como o centro da vida, trazendo pressentimento de
destruição total do ser e, conseqüentemente, medo da morte.
De acordo com Baggio, Teixeira e Portella (2001), essa ansiedade préoperatória
e as complicações pós-operatórias podem ser minimizadas por meio de
processo educativo no pré-operatório, proporcionado pelo enfermeiro. Planejar a
assistência de enfermagem aos corpos que passarão pela cirurgia cardíaca requer desse
profissional habilidade e conhecimento a respeito dos possíveis medos e prováveis
reações emocionais que ele possa apresentar diante da situação.
Em estudo sobre o impacto emocional da cirurgia cardíaca, Pires, Sharovsky e
Romano (1994) perceberam que a maioria dos entrevistados apresentava dificuldades
para conviver com as mudanças causadas pela doença em sua rotina de vida, sentindose
ameaçados pela intervenção e pelas restrições que poderiam ter no pós-operatório.
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