Amigos do coração e cardiopatas

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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Tenha coragem e fé...



Então a gente fica apreensivo com o que vai fazer. Eles falam:
“Não, tem que cortar, tem que fazer isso, tem que fazer aquilo”,
né? “Tem que entubar e tal”, né? [...] Ah, é um negócio muito
delicado mexer com o ser humano. (S5)
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Preocupado? De ser cortado. Dizem que tem que cortar osso,
depois fica, não pode abrir os braços, fazer força. [...] eu sei que
vou ser cortado, agora, aonde, como eles vão fazer, o que eles
vão me enfiar, não quero saber nada. (S7)
Cabe salientar que esses corpos enfermos fragilizados e amedrontados tentam
imaginar o que os espera com o desenrolar dos procedimentos e visualizam cenas
horríveis que os agridem e atemorizam. No entanto, em busca da cura, ou mesmo da
mínima possibilidade de vida, é preciso suportar o temor, a agressão física, moral e
psicológica, o sofrimento, a incerteza. É preciso transpor os próprios limites do corpo.
Conforme enfatiza Mantovani (2001, p.85):
[...] em nome da vida ameaçada, toda sorte de intervenções tornam-se
pertinentes, toda fragmentação do corpo aceitável. Nessa perspectiva
mecanicista, emerge a representação do corpo objeto, observável e
manipulável a partir de razões científicas. Essa posição enuncia um
corpo concreto que, quando doente, merece controles e medidas
estandartizadas.
A doença traz sofrimento e, sempre que existe dor ou sofrimento, percebe-se
mudança na imagem formada pelo corpo. Segundo Nasio (1997), a dor psíquica é
vivida como um ataque aniquilador, que faz o corpo desmoronar-se. Ela traduz-se por
uma sensação física de desagregação do corpo, na qual a presença do medo é um
sentimento paralelo:
Aí a médica falou que eu precisava subir na maca, eu já fiquei
zonza, tonta, com aquele medo que parecia que o coração ia sair
pra fora. Nossa, um corte no peito não é normal! Aí foi aquele
medo [...] acho que é o corte mesmo que dá medo, eu não sei.
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Imaginar que para a realização da cirurgia cardíaca será necessário abrir o tórax
é difícil e atemorizante para o corpo enfermo, que utiliza metáfora para exprimir sua
angústia e provavelmente a taquicardia que o acometeu naquele momento, quando
referiu que o “coração ia sair pra fora”. Ainda em relação à incisão cirúrgica, mas
sob outro enfoque, aparece a preocupação do corpo que já vivenciou essa experiência
anteriormente e está inseguro quanto ao acesso para a reoperação:
A primeira, ó, sarou bem. Não sei se cortam no mesmo lugar,
não sei, né? É no mesmo lugar, né? Pois é, disseram que não
podia: “Como é que você vai fazer outra cirurgia no coração?”
E que tem que cortar debaixo aqui, né? Ah, falaram que não
pode cortar duas vezes no mesmo lugar, mas diz que pode, né?
(S9)
Embora a palavra ‘medo’ não tenha sido evidenciada nesse discurso, está clara
sua presença nas entrelinhas e interrogações sobre a possibilidade de dar certo ou
errado o procedimento. Para Dietrich, Pinotti e Souza (1990), o acesso às estruturas
superficiais ou intracavitárias obriga o cirurgião a realizar incisões cutâneas ou
parietais, a fim de tratar o órgão comprometido, de modo seguro e confortável. O ato
cirúrgico representa uma ameaça à integridade do esquema corpóreo.
Na dicotomia que se centra no eixo privado-público, é possível inferir que o
corpo seja o que há de mais íntimo para uma corporeidade. Apesar de o corpo ser o
meio pelo qual o homem se dá, de imediato a uma interação social, ele não deixa de
ser o objeto mais privado. Essa relação entre público e privado causa sensação de
invasão pessoal, quando se trata de uma intervenção cirúrgica, que atingirá o corpo de
um ser humano, pois toda intervenção é, em tese, uma agressão. Além disso, imaginar
um serrote abrindo o peito jamais poderá trazer alívio.
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Sim [sente medo], porque vai serrar o peito, abrir o peito, vai
tirar, vai abrir as veias das pernas pra o cateterismo, tudo, né?
[...] Agora, pra começar, ter que serrar o peito, ter que abrir
tudo, ah, pensando bem, não é fácil não.

È FACIL SIM, PIOR SERIA SE O MÉDICO DISSESSE PRA VOCÊ QUE NÃO É UM CASO OPERÁVEL E QUE NÃO TEM MAIS NADA A SE FAZER.ISSO SIM SERIA PIOR, AS CIRURGIAS SUPERA TODAS AS EXPECTATIVAS DE UMA MELHORA E DE UMA QUALIDADE DE VIDA MELHOR.
BOM SOBRE ESSE ASSUNTO ACHO QUE DEIXEI UM POUCO AQUI PRA VOCÊ QUE ESTÁ COM MEDO PRA VOCÊS FAMÍLIAS QUE TEM MEDO TAMBÉM,O MEDO FAZ PARTE EU TAMBÉM TIVE E OLHE QUE PASSEI POR DUAS CIRUGIAS E HOJE VIVO MARAVILHOSAMENTE BEM,DENTRO DOS LIMITES PERMITIDOS.ENTÃO TENHAM FÉ EM DEUS E LEMBRE-SE."TUDO VAI DAR CERTO É SÓ POR NAS MÃOS DE DEUS".

ABRAÇOS E ATÉ AMANHÃ SE DEUS ASSIM QUIZER.

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